PRÍNCIPE DAS SOMBRAS (1987): O Filme Proibido de John Carpenter Que Desafiou a Igreja"
Olá Cinéfilos! Hoje vamos mergulhar em uma das obras mais ousadas, filosóficas e assustadoras de John Carpenter, um filme que desafia a religião, questiona a ciência e te faz perder o sono por dias. Prepare-se para conhecer Príncipe das Sombras.
Depois do fracasso comercial injusto de Aventureiros do Bairro Proibido, John Carpenter estava completamente revoltado com os grandes estúdios de Hollywood. Cansado de interferências criativas e de executivos que não compreendiam sua visão artística, o diretor tomou uma decisão radical: assinou contrato com a pequena produtora Alive Films. O acordo previa quatro filmes de baixo orçamento, mas com algo que valia mais do que qualquer fortuna para Carpenter: liberdade criativa total. E foi exatamente nesse momento de libertação artística que nasceu Príncipe das Sombras, um suspense sobrenatural que mistura possessão demoníaca, conspirações da Igreja Católica e até viagem no tempo em uma narrativa que desafia tudo o que você pensa que sabe sobre o bem e o mal.
A história começa de forma intrigante quando o padre Loomis, interpretado pelo magnífico Donald Pleasence, (seria o irmão do Dr Loomis da franquia Halloween???). Ele descobre um segredo guardado por décadas por um padre recém-falecido. Nas mãos de Loomis estão agora uma chave misteriosa e um diário repleto de revelações perturbadoras sobre a possível vinda do anticristo. Enquanto isso, em uma faculdade de Física em Los Angeles, o professor Birack, vivido por Victor Wong, ministra suas aulas para um grupo de estudantes que inclui Catherine, Brian, Kelly e Walter. Mas Birack não é um cientista convencional. Ele desafia constantemente a lógica tradicional e questiona a própria realidade, chegando a afirmar: "Tudo isso é falso! Libertem-se da realidade clássica. A nossa lógica em nível subatômico é só fantasmas e sombras." Essa frase, meus amigos, é o prenúncio do que está por vir!.
A chave descoberta pelo padre Loomis abre as portas de um salão abandonado na igreja, um lugar que guarda um dos segredos mais sinistros já concebidos no cinema de terror. Para decifrar esse mistério, Loomis convoca Birack, o único cientista mente aberta o suficiente para aceitar o que parece impossível. E aqui começa a revelar-se uma verdade aterrorizante: o padre falecido era membro de uma seita chamada A Irmandade do Sono, tão secreta que nem mesmo o Vaticano sabia de sua existência. A cada geração, essa irmandade escolhia um padre para guardar aquela igrejinha da cidade e proteger seu maior segredo: um enorme cilindro contendo um líquido verde e misterioso. E qual é a verdadeira natureza desse líquido? Nada menos que o filho de Satã aprisionado em forma física!
Com a intenção de provar cientificamente os relatos contidos em um livro antigo e descobrir a verdade sobre a vinda do Anticristo, Birack e Loomis organizam uma expedição científica para estudar as provas dentro da igreja. Além dos estudantes de física de Birack, juntam-se ao grupo uma linguista, uma radiologista, um microbiólogo e um bioquímico. No início, ninguém sabe exatamente o que está procurando, o que torna a curiosidade ainda mais intensa. Mas à medida que vão desvendando a verdade sobre os escritos antigos e sobre o misterioso líquido verde, eventos sobrenaturais começam a acontecer dentro da igreja.
Primeiro são os mendigos da rua. Eles aparecem em estado de zumbificação, bloqueando todas as saídas da igreja e matando qualquer um que tente escapar. E o líder deles? Ninguém menos que Alice Cooper, o lendário cantor de rock, em uma participação que adiciona uma camada extra de terror ao filme. Imagine a cena: você está preso em uma igreja, descobrindo que o filho de Satã está ali com você, e lá fora Alice Cooper comanda um exército de mortos-vivos. Carpenter sabia exatamente como criar atmosfera.
Mas o verdadeiro horror começa quando Susan, a radiologista, fica sozinha com o cilindro e percebe algo impossível: há um vazamento no recipiente, mas o líquido não está escorrendo pelo chão. Está se acumulando no teto! Aqui temos uma das genialidades de Carpenter. Com orçamento limitado, ele usa o truque mais antigo do cinema: simplesmente inverte a câmera, fazendo parecer que o líquido está pingando para cima e o teto está alagando. E quando precisa que a água desça? Retrocede o filme! Efeitos extremamente simples, que não custam nada, mas que criam uma imagem absolutamente perturbadora. Uma verdadeira lição para os diretores contemporâneos que acreditam que efeitos especiais caros são a solução para tudo.
Susan então recebe um jato daquele líquido diretamente na boca e instantaneamente fica possuída, transformando-se em uma espécie de zumbi. E pior: ela começa a infectar os outros membros da equipe, um por um, vomitando o líquido na boca de suas vítimas. O contágio se espalha rapidamente dentro da igreja, transformando aquele grupo de cientistas em hospedeiros do mal.
Príncipe das Sombras não é apenas um filme de terror. É uma obra que desafia convenções religiosas e joga mensagens filosóficas profundas para o espectador. Carpenter, assinando o roteiro sob o pseudônimo de Martin Quatermass, apresenta o filho de Satã como algo físico, tangível, científico, e não meramente espiritual. E é aqui que o filme atinge seu ápice controverso.
Mas Carpenter vai ainda mais longe ao revelar que Jesus seria, na verdade, um alienígena! É surpreendente como o filme não gerou confusões maiores com grupos católicos. Outro elemento fascinante e perturbador do roteiro é um estranho sonho compartilhado. Todos que dormem nos arredores da igreja recebem a mesma visão aterrorizante: a fachada da igreja e uma silhueta gigantesca saindo dela, possivelmente o demônio finalmente liberto. E o mais assustador é a narração de fundo que acompanha essas imagens, explicando que aquilo não é um sonho, mas uma mensagem vinda do futuro. Uma advertência temporal. Essa cena consegue provocar um frio na espinha genuíno, aquele tipo de terror psicológico que persiste muito depois que o filme termina. Carpenter está brincando com a percepção do tempo, sugerindo que o mal já venceu no futuro e está tentando avisar o passado. É genial! e absolutamente perturbador.
A maquiagem excepcional ficou por conta de Frank Carrisosa, que voltaria a colaborar com Carpenter no filme: Eles Vivem. Quando Príncipe das Sombras chegou aos cinemas, surpreendeu. No primeiro fim de semana, o filme já havia se pagado completamente. Com um orçamento de apenas três milhões de dólares, arrecadou mais de quatro milhões e seiscentos mil logo de cara. Ao final das exibições nos cinemas, havia faturado mais de quatorze milhões de dólares só nos Estados Unidos. Foi um êxito comercial e de público inegável. Porém, os críticos continuaram implacáveis com Carpenter.
Sobre a motivação para criar o filme, Carpenter revelou: "Eu queria trabalhar com Donald Pleasence novamente e queria trabalhar com alguns atores asiáticos com quem havia trabalhado em Aventureiros do Bairro Proibido, e eu queria fazer um filme verdadeiramente assustador."
Príncipe das Sombras é uma experiência cinematográfica que desafia sua percepção sobre religião, ciência e a própria natureza do mal.
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